DEPOIS DAS REVOLTAS JUNINAS

14/08/13

MAIS DE UM MÊS DEPOIS DAS REVOLTAS JUNINAS

Mais de um mês depois das maiores manifestações populares que este país já viu e pouco ou nada mudou.

Será?

Primeiro um sentimento generalizado de que com o PT não dá mais para seguir.

Dilma não conseguiu aprovar nenhuma de suas propostas. Todo o alinhavo político que ela tratou de fazer desde eleita, virou-lhe as costas. Com péssima assessoria a presidentE fez propostas inconsistentes e inconstitucionais. Seu vice, Michel Temer, com toda temeridade deu um, dois, três passinhos para o lado, como se não quisesse ter sua figura associada à da presidentE. O mesmo fizeram outros políticos, como o presidente da Câmara Henrique Alves, que pegou emprestado um jatinho da FAB e viajou com a família para assistir a um casamento em Pernambuco, gastando em torno de 300.000 reais do erário público e devolvendo somente 9.000,00 depois das críticas.

Outro viajante, o governador Sérgio Cabral do Rio de Janeiro, entre o sumiço do pedreiro Amarildo e as prisões de manifestantes durante a visita do Papa, também pegou emprestado um helicóptero para viajar meros 80 quilômetros, entre sua casa na capital e a casa de veraneio. Como se isso não bastasse, mandou o helicóptero voltar para buscar o cachorro e a babá da família, tudo com dinheiro público…

Obviamente os fatos não seguiram exatamente esta cronologia, mas vamos lá.

 

Depois da crise no PT e no governo da presidentE Dilma, o escândalo da Siemens e o governo de São Paulo do PSDB.

 

Não causa estranheza a esta blogueira o fato da mídia tradicional ter tentando ocultar a delação premiada que a empresa Siemens pediu ao MP. Isso porque o escândalo a ser denunciado envolve a “menina dos olhos” da classe empresarial paulista, o PSDB. Em meio à crise política macro-estrutural, muita gente acreditou que era a hora e a vez do PSDB regressar ao governo federal. Aparições de FHC e José Serra em programas como Roda Viva e Jornal da Jovem Pan, pareciam atestar essas esperanças da classe dominante, insinuando uma espécie de “luz no fim do túnel”.

Daí que quando a Simens começou a relatar o montante de dinheiro pago em propinas para as obras do metrô, ficou claro que se o escândalo atingisse o grande público, o sonho de ver o PSDB sentado na cadeira presidencial escorreria esgoto abaixo. Por isso as redes de TV e os grandes jornais e revistas impressos, demoraram mais de um mês para contar à população que o governo de São Paulo roubou, roubou muito, mas muito mesmo…

Cerca de 500.000.000 de reais pagos em propinas ao longo de vinte anos de governo PSDB em São Paulo, para que empresas vencessem licitações fraudulentas, superfaturassem obras e enrolassem ao máximo…

Entre 55.000.000 de reais gastos no mensalão do PT e 500.000.000 gastos em propinas e fraudes do PSDB, a população brasileira volta às ruas, invadindo o hospital Sírio Libanês na noite de ontem, dia 13 de agosto, exigindo um SUS padrão Sírio… afinal se o Sírio é capaz de salvar a vida de José Sarney, internado com problemas respiratórios e dengue, se é capaz de salvar José Genoíno, internado com uma isquemia cerebral, porque nós, que pagamos os salários de todos esses salafrários, precisamos dar a luz nas calçadas diante dos hospitais?

O governo perdido não sabe o que fazer. A Dilma tentou, por vias erradas, introduzir mudanças. O Congresso aprovou rapidamente uma série de medidas paliativas que visavam acalmar os ânimos da população brasileira, sem sucesso, pois no Senado a aprovação dos royalties do petróleo para a educação, por exemplo, foi vetada, os escândalos não pararam e chegam até a macular a figura do sublime ministro do supremo, Joaquim Barbosa, que também viajou às custas públicas, para assistir à final da Copa das Confederações no camarote de seu bom amigo Luciano Huck, dias antes de seu filho ser chamado para trabalhar no programa global “Caldeirão do Huck” e dias depois do dito apresentador ter conseguido aprovar uma lei em Angra dos Reis que regulamentou a construção irregular de sua casa de veraneio em área de reserva florestal…

O governo perdido não sabe o que fazer. Não sabe que cabeças devem rolar, uma devassa pública nos sistemas de transporte e saúde deveriam auxiliar na reestruturação dessas infra-estruturas, uma queda nos impostos iriam bem ao gosto popular, especialmente das classes média e baixa, que não recebem a contrapartida desses “investimentos”, nem na educação, nem na saúde, nem no transporte, nem na qualidade de vida e ainda se vê obrigada a pagar tudo de novo no sistema privado, que também é uma porcaria.

Mas o governo não faz nada neste sentido. Está engessado numa estrutura que durante trinta anos cresceu e se estabeleceu com o objetivo único de render dividendos aos bolsos dos políticos e seus principais colaboradores, as grandes indústrias e empresas.

Como baratas tontas eles circulam no Congresso, cheios de falsa moralidade, falsa dignidade, empáfia de autoridade infundada, como se tratassem de pessoas especiais, nascidas com uma estrela…

 

 

 

 

Enquanto isso, no Uruguai entre a aprovação do aborto e a legalização da maconha, o governo de José Mojica dá um exemplo de laicidade ao enviar seu embaixador na Itália para a entronização do Papa, ao invés de fazer como Dilma e ir com a corte pessoalmente assistir a uma cerimônia medieval, que atesta valores medievais…

Enquanto tudo isso acontecia, Barack Obama e seus comparsas abriam mensagens de e-mails, localizavam ligações telefônicas e conteúdos, abriam perfis de usuários da rede e espionavam negócios e oportunidades de negócios, de milhões de brasileiros. Isso mesmo, espionagem internacional atravessando oportunidades, invadindo privacidades. Qual a resposta do governo brasileiro? Nenhuma.

Poderíamos ter participado do acordo proposto pela presidentE da Argentina, Cristina Kirchner, na criação de um mega cabo de fibra ótica para a América Latina… só que não.

Aqui no Brasil Medieval a presidentE precisa aprovar uma lei que força outra lei a ser executada: prestar atendimento integral de saúde às mulheres vítimas de estupro, incluindo aí o uso da pílula do dia seguinte! Pois é queridos, pasmem! Precisou aprovar uma lei que forçasse a execução da lei do atendimento à mulher vítima de violência sexual, isso porque o SUS tinha medo de retaliações dos cristãos, caso atendesse essas mulheres e efetuasse a “profilaxia da gravidez”, que nada mais é que a interrupção de qualquer processo de gravidez, comprovado ou não, oriundo de um ESTUPRO.

Bastou isso para que os setores “pró-vida”, que tentam controlar o corpo das mulheres há milhares de anos, enviassem uma carta ameaçadora à presidentE, “avisando” que se ela tentasse aprovar o aborto no país, iria “sofrer graves consequências”.

Entre o Brasil que quer despertar o Gigante e o Brasil Medieval, parece que os fanáticos religiosos estão com tudo. São os únicos que sabem exatamente o que querem: querem mulheres submissas, que aceitem dar a luz aos filhos de estupradores, que pensem no aborto como crime e pecado, que sofram o castigo da punição no fogo do inferno dos presídios caso tomem o próprio corpo como seu.

Sinto muito avisá-los cristãos medievais, mas o aborto só é crime em vossas cabeças, porque no corpo das mulheres, quem manda são elas próprias. Por isso mulheres abortam, até no banheiro de suas casas quando sentem que é isso que devem fazer e continuarão abortando para sempre… mas isso é outra conversa, para outra hora.

Por estas e por outras, não adianta muito ir às ruas, se a mudança principal, aquela que aumenta o coeficiente de inteligência nacional, não acontece onde devia.

Numa sociedade burra, que acredita mais em seres invisíveis cuidando da sua vida diária do que no real e palpável e mutável que nos cerca, o que esperar?

O ser invisível que sabe tudo o que você faz, que te vigia e está pronto para te punir caso faça algo errado não é Deus, mas sim, Barack Obama, este sim está prontinho a te flagrar em pecado e punir você com perseguições, execução sumária (vide o que aconteceu a Osama Bin Laden) e sabe lá o que mais…

Para hoje estão marcadas manifestações em São Paulo. Acho que poderíamos pular esta etapa e ir diretamente ao que interessa… poderíamos dar uma lida na História da Revolução Francesa e aprender algumas lições…

 

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