MAIS MÉDICOS, MENOS MIMIMI 2

Muitos médicos estão reclamando com razão das condições de trabalho na rede pública de saúde, da ausência de planos de carreira e do desvio de verbas para a saúde, que incide sobre o pagamento de seus salários.

Muito mais pessoas estão reclamando da ausência de médicos de plantão, das negligências médicas, das dificuldades em se processar médicos negligentes e exigir retratações sobre erros cometidos em virtude dessas negligências. O descaso de muitos médicos com a população, especialmente a mais carente já é uma tradição na história recente do país. O tempo dos médicos de família foi substituído pela produção em série de profissionais formados com o objetivo de alcançarem carreiras de prestígio e altos salários.

Claro que há exceções, mas a classe médica, assim como a classe do magistério são atualmente as mais criticadas em termos de demanda e entrega de serviços. Não vale o argumento de que se fizeram o programa mais médicos, deveriam também fazer o programa mais professores, por conta das diferenças brutais nos salários entre uma e outra classe profissional. Se os professores hoje estão abandonando as salas de aulas, também por não terem condições de trabalho, nem plano de carreira, certamente o fator predominante nesta decisão são os salários, que não chegam a três mil e quinhentos reais por mês! Comparado aos salários dos médicos, que em alguns casos chega a trinta e cinco mil reais, podemos dizer que trabalhar sem “band-aid” não é nada…

Quanto às demissões de médicos para a sua substituição por cubanos remunerados pelo governo federal, é mesmo preocupante que isso possa estar acontecendo tendo como único critério o corte municipal de gastos. A classe médica e a sociedade precisam ficar de olho para que este tipo de “jeitinho brasileiro”, de “gambiarra” não aconteçam. Por outro lado, precisamos ficar de olho também nas demissões justas: há muitos médicos que batem o ponto e não trabalham, infelizmente essa é uma triste realidade que acontece a despeito daqueles médicos lutadores, guerreiros e heróis, que estão indignados por justa causa. Infelizmente bons e maus profissionais existem em todas as categorias. Que este programa, independente de sua finalidade eleitoreira, sirva para demonstrar a alguns maus médicos, que nem o prestígio, nem o respeito, nem o salário substituem a qualidade e que para evitar maiores expurgos, é bom que comecem desde já a trabalhar de verdade.

Aos bons médicos que estão se sentindo prejudicados, tenho certeza de que não lhes faltará vagas, nem trabalho, já sobre as condições de trabalho e o plano de carreira, é válido que façam seus protestos e corram atrás de seus direitos, mas no Congresso, não nos aeroportos.

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