IMPEACHMENT E ECONOMIA, a certeza do desastre.

Há muitos anos impera a crença de que o crescimento econômico depende de mão de obra barata, desqualificada e excedente. Quem lê, ou melhor, quem leu o livro bombástico do Thomas Piketty ( e é bombástico justamente porque ele levanta as contas públicas do mundo quase inteiro e chega à conclusão que:), sabe que é o exato contrário. Todos os países que tiveram crescimento expressivo no século vinte, ou crescimento sustentado ( que na análise dele pode e deve ser de cerca de 1%), são países que investiram na mão de obra qualificada, são países que tiveram muitas décadas de welfare state (políticas públicas de auxílio, tipo bolsa família e seguro desemprego) e que estes mesmos países, quando adotaram políticas mais liberais de enxugamento do Estado, tiveram a princípio um crescimento expressivo, seguido de (advinhem) recessão. Logo, é preciso repensar, como o próprio Piketty sugere, as velhas fórmulas econômicas que não estão baseadas em evidências, mas em cálculos matemáticos aproximativos. Investigar as contas públicas do mundo praticamente inteiro, como ele fez, dá uma dimensão do que significa políticas econômicas baseadas em evidências. Os velhos padrões de gestão econômica não superam os velhos ciclos de crescimento _crise_recessão , porque vivem cometendo os mesmos erros, de novo, de novo e de novo.

Como prova disso, temos algumas indicações de como será a política econômica se Temer vier a assumir e tiver governabilidade. Vale a pena dar uma lida na entrevista com o professor Ruy Braga (USP), que você encontra aqui.

Como é bom ler um texto com jargão marxista! Simplifica o entendimento do conflito, na medida em que maneja com os conceitos de classe média, classe trabalhadora e dialética.

Que estupidez de certas pessoas considerarem o marxismo como fonte de problemas, quando o que ele faz é instrumentalizar a análisa, fornecer ferramentas de percepção do real.

A entrevista do professor Ruy Braga foge àquelas discussões banais de Facebook, que ficam gravitando em torno do Flá X Flu, pior, gravitam em torno de achismos tais como “marxismo estragou o país”, “comunismo devia ser proibido” e idiotices do gênero.

Nesta entrevista você vê o instrumental marxista em ação através da sociologia. A observação dos movimentos das classes trabalhadoras ao longo de uma série de medidas impopulares. A razão para as medidas impopulares (acumulação de capital por espoliação), como parte da dialética de classes, parte da competitividade capitalista selvagem, pelo ganho sempre, jamais pelo coletivo.

Obrigada professor, por ter me trazido péssimas notícias, mas com este alento do produto pensado à luz de um instrumental eficiente, que abre outra perspectiva para a crise e que foge completamente à falácia do combate à corrupção.

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