IMPEACHMENT E DESASTRE pt. 2

O que mais ouço nas ruas e leio nas redes é: “tá mais que na cara que a Dilma roubou.”

Esse “tá mais que na cara” é a justificativa para o impeachment, muito embora, no processo conste que ela cometeu “crime de responsabilidade fiscal”, as chamadas “pedaladas fiscais”.

Daí toda e qualquer discussão entre direita e esquerda se resume a isso: _Não há provas! – diz a esquerda.

_Não precisa, tá mais que na cara. – diz a direita.

_Não tem crime.

_Tem as pedaladas.

_Pedalada não é crime.

_É sim e se não fosse, devia ser porque ela abriu um rombo de bilhões nas contas públicas e levou o país para a crise.

E este é o argumento infalível, aquele que se você se indispõe, você é taxado de cúmplice, apoiador de ladrão, traidor da nação, petralha, comunista… e por aí desce.

Mas tudo isso, como bem demonstrou Eliane Brum neste link, são crenças. Não estão fundamentadas numa sequência lógica que pode ser comprovada pela investigação dos fatos. Ao menos até o momento.

Em outras palavras significa dizer que: apoiar um impeachment é uma coisa muito séria. Séria demais para ser feita com base na crença. É preciso envolvimento da justiça, que é a instituição responsável por tirar o destino de milhões de pessoas, das mãos da crença e da fé no delito, para por tudo no domínio do real, do comprovado e comprovável.

Ficar discutindo se pedalada é crime ou não é perda de tempo, ao menos agora. O importante é observar que não há consenso sobre a questão, porque se por um lado abrir rombos nas contas públicas é má política, que prejudica a vida da nação; por outro lado isso jamais havia sido considerado crime passível de impeachment e isto é FATO, comprovável e comprovado. Governos anteriores e de outras instâncias de poder ainda hoje promovem pedaladas fiscais e isso nunca foi considerado CRIME.

Que passe a ser considerado agora, o que eu acho justo, mas é princípio básico da justiça, que não se deve julgar e condenar quem praticava o que só agora se tornou crime.

Assim, ficar discutindo se é crime ou não, cai no domínio da crença novamente, porque mesmo sendo, não é possivel julgar quem o cometeu no passado. Não é possível julgar a Dilma por ter feito o que só agora (e a partir dela) tornou-se delito. Daqui para frente, tudo bem, ela fica submetida às novas regras, mas não no passado, não. Isso é golpe.

Sobra ainda a questão da má gestão, do mau governo. A resposta para isso é manifestação e organização social, movimento, militância em cima da única saída democrática disponível: a cobrança por reformas que ponham a ordem pública de volta nos trilhos. A cobrança por justiça e pelo fim da impunidade e a continuidade do mandato.

Cabe às instituições de fiscalização do poder executivo, manter o governo sob observação constante. Cabe aos congressistas e juízes do Supremo, trabalhar e muito para o bem da nação, e cabe à sociedade fiscalizar todos eles, não permitindo tomarem medidas que redundem em maus gastos com a coisa pública, ou em limitação nas liberdades e nos direitos adquiridos.

Qualquer quebra institucional com base no que foi apresentado até agora entre a Presidente Dilma e as pedaladas, ou as acusações de corrupção, não estarão embasadas em fatos comprovados. Portanto fica registrado aqui, para a posteridade que estamos vendo um momento de inversão de valores, de destruição das bases democráticas de justiça, liberdade e soberania popular.

É um Golpe de Estado, organizado pela elite industrial representada pela Fiesp, por parte da burguesia liberal, representada pela OAB e pela bancada mais corrupta do Congresso, representada por mais de trinta deputados envolvidos em processos de corrupção, outros 70 envolvidos em denúncias e quase vinte já condenados pela justiça.

Fica registrado aqui meu repúdio a esse golpe e aos insanos que o apoiam. Registrarei aqui o nome de todos os deputados golpistas que votarem a favor do Golpe, para que o futuro se recorde deles.

Aguardando.

 

Os golpistas Ficha-suja

 

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