A TENEBROSA VOLTA DOS QUE NÃO FORAM, OU: “O BOM, O MAU E O FEIO”

Talvez uma boa parte dos seguidores do MBL, do Revoltados IN Line, entre outras páginas da direitona fascista sejam midiotas que ouvem pérolas como “pena de morte”, “leis mais duras”, “combate à corrupção”, “direitos humanos para humanos direitos” e pensam: “sim! É isso que falta neste país!” ou seja, o perfil da ignorância está na beira do abismo fascista. Porque não é possível que uma pessoa que reproduz as idéias expostas acima, seja alguém instruída e bem informada, do contrário, tais bordões seriam ao menos problematizados. Por exemplo, não adianta promulgar leis mais duras, se nem as que já existem são cumpridas. Não adianta exigir pena de morte, se nosso sistema jurídico não consegue, por exemplo, apontar sem sombra de dúvidas, qual o crime cometido por Dilma Roussef! Imagine num caso em que vida e morte estão em jogo!

O problema da ignorância a gente combate com fatos. O pior são os idealizadores destes grupos fascistóides, que nem fascistas são, mas sim oportunistas, que vendo uma brecha enorme para o poder, aproveitam-se dela com o marketing do século passado, que é onde a cabeça do gado eleitoral brasileiro, este que os seguem, parou de evoluir. Contra estas lideranças oportunistas, nem os fatos funcionam, eles simplesmente ignoram a realidade e seguem vendendo fantasia.

Esse golpe se sustenta em torno do “consenso” anti petista, uma das ilusões mais caras já vendidas neste país. Esse consenso é puramente midiático, por isso uma ilusão. O país está fervendo, mas a rede Bobo de televisão e os conglomerados otários vendem um país que “se acalmou” depois do golpe. Mesmo uma força militar não teria condições de manter o consenso. Não no mundo das redes, não depois de uma década de esquerda no poder. Se os golpistas pensam que sim (vide Jucá dizendo que “acertou com os militares”), são mais idiotas do que eu pensava. Idiotas não! Genocidas e kamikazes, porque o fim disso não será igual os “anos de chumbo”. Não no mundo das redes e dos hackers. Mas a gente sempre superestima a direita. A direita sempre nos surpreende com mais estupidez do que somos capazes de imaginar. Vide certos comentaristas que aparecem  dizendo que vão “acabar com a esquerda”!

O consenso anti-petista só se sustenta via mídia e mesmo assim, é uma frágil sustentação que se quebra na força das redes sociais, no embate com a realidade que é expressa pelas pessoas comuns, no dia a dia. Assim, não sabemos até quando os golpistas conseguirão mascarar o caldo que está em fervura na sociedade, o que sabemos é que é impossível acabar com a esquerda.

Essa utopia é a mais fanática de todas em todos os tempos, é recordista de ações de extermínio no mundo! Os nazistas tentaram, a guerra na Coréia tentou, a guerra no Vietnam tentou, as perseguições macartistas, as ditaduras na América Latina… Quem acredita que é possível acabar com a esquerda, é no mínimo, um idiota da maior marca! Não se pode acabar com a esquerda política, nem com a direita, são ambas face da mesma moeda, resultado da construção cultural do ocidente. Pior é o idiota que confunde a esquerda com o PT. Sinal de que não sabe p* nenhuma, nem de esquerda, nem de PT. Não consegue ver a fragilidade da união das diversas tendências de esquerda em torno deste partido, não consegue ver a crítica interna que é feita e vive de arrotar comida midiática azeda. O Brasil é um país de analfabetos políticos orgulhosos de terem sido instruídos por gente como Arnaldo Jabor!

Seria tão bom se cada facebooker que vem falar de política, desse uma lida, no mínimo, em Eric Hobsbawm “A Era das Revoluções”, ou perdesse um pouco de seu tempo lendo a análise do capital no século de XX, feita pelo Thomas Picketty e que lhe rendeu o Nobel da Economia. Daí não defenderia absurdos como “Estado Mínimo”, nem faria diagnósticos Históricos estapafúrdios como: “a esquerda nunca deu certo em país nenhum”.

É por isso que chamo de analfabetos políticos aos brasileiros que levantam a bandeira do fim da esquerda! Quando eu digo que são fascistóides, não é porque discordam de mim, mas porque é o fascismo quem recusa a democracia. Direita e esquerda equilibram-se numa situação democrática. Em tese, uma corrige os erros da outra. Historicamente (e veja bem, se estudar fatos me faz dona da verdade, muito prazer, chamamos isso de Ciência) todos os grandes países europeus passaram por governos mais à esquerda e mais à direita, em alternância. Alternância essa que não cessou e não cessará por obra de nenhum fascistóide do tipo brasileiro, porque quem tentou fazer isso, causou e perdeu uma guerra mundial na tentativa. Diferente de nós, que já passamos pela ditadura e não aprendemos, os europeus sim, aprenderam a lição. Aprenderam que se querem vencer eleições, precisam de um projeto político convincente e não de tramóias e conspirações. Temos na Alemanha por exemplo, um misto de forte intervenção estatal com liberalismo que devia ser exemplo para os brasileiros: a Alemanha detém 25% de ativos financeiros de empresas como a Volkswagen, lá os sindicatos não são meras instituições de negociação salarial, mas possuem cadeira cativa nos conselhos DECISÓRIOS das empresas (algo extremamente de esquerda). Por outro lado a política financeira alemã é extremamente agressiva, os juros são altos, a intervenção no equilíbrio econômico europeu é decisiva, ela pode quebrar ou levantar economias de outros países porque possui forte capital externo. Daí que brasileiros ficam balbuciando que a esquerda não funcionou em país nenhum. Sério? De que esquerda vocês estão falando? Daquela comunista soviética que já deixou de existir há mais de vinte anos? Aquela da guerra fria do século passado? Olha, o mundo evoluiu, viu? Estamos no século XXI, era de globalização econômica, mundialização de culturas e redes mundiais de comunicação. É bom dar uma repaginada, observar que o equilíbrio entre capital e trabalho, entre políticas sociais e políticas capitalistas, mudou desde quando vocês estudaram Educação Moral e Cívica na época da Ditadura. Também mudou o jogo geopolítico. Enquanto os países inteligentes estão adquirindo campos de petróleo, os midiotas brasileiros, liderados por José Serra, querem vender o nosso a preço de banana sob a justificativa de “acabar com a corrupção” .

Esquerda e direita já flertaram numa ideologia conciliatória antes, chamada de Social Democracia. Aquela que deu origem ao PSDB, apesar de que aqui, o PSDB evoluiu para Partido Neo Liberal. A social democracia foi muito bem sucedida durante os anos trinta e quarenta nos EUA, sessenta na Inglaterra e setenta na França, depois entrou em declínio nos anos 80 e 90 e novamente ressurgiu das cinzas, com o Brasil puxando o carro na década de 10 deste século. Por incrível que possa parecer, o Brasil foi exemplo a ser seguido no mundo todo em políticas sociais. Nossa política externa também deu uma guinada na História dos países subdesenvolvidos. Graças a Lula, saímos daquela “sinuca de bico” econômica, onde podíamos optar por vender nossas mercadorias para os Estados Unidos, ou ficar sem vender nossas mercadorias. O G20, o BRICS, foram soluções mercadológicas sensacionais, que expandiram o mundo. Negar isso é de uma estupidez pantagruélica! Mudar isso com uma nova política externa, que simplesmente ignora a anterior sem incorporá-la, como o imbecil do Serra está fazendo, não tem nome! O buraco cavado por este governo golpista e que começou com a sabotagem do governo Dilma, é de uma profundidade que mesmo nós que somos estudantes de política e estamos atualizados, não conseguimos prever. Se a sociedade brasileira não demonstrar sua rejeição ao governo interino decorativo do Temer, se não exigirmos a retomada da situação democrática imediatamente, corremos o risco de perder tudo, absolutamente tudo o que foi avançado, não apenas em termos econômicos. TUDO mesmo: economia, cultura, política, status, liderança na américa latina, liderança dos países em desenvolvimento… TUDO. Não é só uma questão de Flá X Flu. Quem pensa assim precisa evoluir, precisa ver que essa briguinha interna é só a superfície do problema e que o buraco é bem mais embaixo, nas camadas profundas do pré sal brasileiro…

O des-governo golpista está fazendo mudanças a toque de caixa enquanto ainda são interinos, imagine depois de consolidado o golpe! O Temer já disse isso, em entrevista ao Roberto D’Ávila esta semana! Disse que as mudanças mais radicais ficarão para depois do golpe. Podemos esperar aumento salarial para a classe política , seguida de reforma na Previdência, aumento de impostos, seguido de privatizações, extinção de políticas sociais, seguida de expansão da flexibilização do trabalho. Não são medidas de Estado Mínimo, como os imbecis alegam. São medidas de proteção da aristocracia política e empresarial do país. Enquanto eles sonegam impostos que seriam suficientes para cobrir a dívida interna, nós voltamos para a senzala e deixamos de fazer valer nossa opinião nas urnas. É a usurpação mais totalitária: o fim do estado de direito, seguido de retrocesso social e avanço agressivo daquele capitalismo corporativista, monopolista, de elite. É a cara de gente como o Sarney: os coronéis, a volta dos que não foram.

Não é a toa também que perderam quatro eleições consecutivas. Não é o tipo de política que nós, como conjunto social desejamos, mas eles não sabem fazer política produtiva. A política econômica dos coronéis é de arrendamento entreguista, sempre foi, sempre será. São vagabundos improdutivos, latifundiários escravocratas, capitalistas financeiros. São a ralé da elite, porque são improdutivos, mas poderosos, porque detentores de altas rendas de bens de capital, especialmente imobiliários.

De um lado temos o conjunto da sociedade que elegeu um governo de viés desenvolvimentista, social democrata, um governo afirmativo, menos vítima de síndrome do vira-latismo. De outro lado você tem figuras jurássicas do capital rentista, donos de grandes latifúndios arrendados para exploração internacional de minérios, ou voltados para a agroindústria, ou a indústria pecuária, alguns poucos industriais e do setor de serviços. Há aqui uma evidente motivação golpista, pois já sabemos que não é o combate à corrupção que moveu a classe política ao golpe (foi apenas o pretexto para a formação da massa de manobra). Finalmente o Brasil se afirma como país soberano, apoiado pelos votos da maioria, construindo pela primeira vez uma política de Estado dentro de um ambiente pluralista, onde virtualmente todo mundo se dava bem, de banqueiros a empregadas domésticas. Isso significa que a velha aristocracia coronelista brasileira, estava ameaçada pela concorrência de novos atores no jogo político e econômico.

A Lava Jato é um exemplo. Uma operação que na sua essência surgiu para caçar o PT, encontrou no governo Dilma, ambiente favorável para caçar qualquer um e ameaçar juridicamente, as velhas oligarquias. Pressionados de um lado por uma política afirmativa (no sentido de soberana e produtiva), que gerou novos atores no jogo econômico e político, e por outro lado por instituições jurídicas mais autônomas e igualmente susceptíveis aos humores e favores do jogo, a velha aristocracia coronelista, o patriarcado brasileiro, decidiu que o país não pode ser conduzido de forma democrática, ou isso será o fim dos privilégios de classe que desfrutam.

Em síntese somos uma republiqueta de bananas. É de se duvidar que o rumo político dessa velha oligarquia venha nos trazer desenvolvimento industrial autóctone. Nosso futuro reside no sucateamento dos direitos trabalhistas para atrair capital industrial estrangeiro e transformar o país numa “China do ocidente”. Isso aumentará o volume de rentabilidade da terra, de serviços de transporte, serviços bancários e a receita de impostos, mas fará despencar salários, seguridade social, nivelando por baixo a maioria da população. Este é o projeto de desenvolvimento dessa oligarquia, algo já visto por aqui e que pensávamos, tinha ficado para trás. É a receita mágica dos que não sabem fazer nada, além de manter o status quó intocável. Ao lado disso, temos ainda as privatizações, que como todos sabem, já estão loteadas nas mãos dessa mesma classe política que promoveu o golpe. A realidade está aí para ser vista. Basta olhar fora da caixa. É o novo velho mundo, a volta dos que não foram, o fim do sonho de independência e soberania. E não, não estou falando do PT, que por acidente histórico encarnou este sonho, estou falando de nós, cidadãos que elegemos tal política como NOSSA e que uma vez mais, fomos usurpados no nosso direito de escolher os rumos, em favor dos velhos mestres da casa grande.

Não ouço panelas.

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